Jamie Lidell: o concerto que começou no encore

AUTOR

Gonçalo Palma

Jamie Lidell: o concerto que começou no encore

today 27 de julho de 2017

A grande voz para a soul do inglês Jamie Lidell sente-se logo em poucos segundos quando arranca o concerto no cooljazz com Multiply.
 
Jamie Lidell lembra que este é o último concerto da sua digressão, e nada vai demover a sua vontade de festa, nem o público morno que se senta à sua frente, nem o frio que se sente nos Jardins do Marquês do Pombal, em Oeiras
 
A sua banda também dá uma ajuda. Com a excelência do quarteto norte-americano Royal Pharaohs, o groove de músicas como Little Bit Of Feel Good supera o vento.
 
As várias baladas vão aprovando os falsetes de Jamie Lidell com nota alta. Another Day, o êxito de 2008 que fez Lidell ter um carro melhor, põe a mexer alguns dos membros do público das cadeiras da frente. E a orelhuda Building a Beginning, que se faz ouvir pouco tempo depois, é o tema que Lidell podia ter emprestado aos Simply Red.
 
Como as saudades da família já são muitas, Lidell faz uma dedicatória ao filho de 21 meses. Depois, inspira os casais de namorados a apertarem-se mais no alento amoroso de Me and You.
 
Em Don't Let Me Let You Go, Jamie está endiabrado; mais um pouco assim e pode tornar-se o maior cantor soul, nem que sejam só naqueles quatro minutos. O guitarrista dos Royal Pharaohs acredita que também ele pode ser o melhor no seu ofício e prolonga um solo arrebitado - Jamie Lidell acha o mesmo e deita-se e fotografa-o. Música é isto, estar no palco é acreditar que somos mesmo os melhores, se não, não conta.
 
O público sentado pensa diferente e vai demovendo. Abre-se então as vedações aos verdadeiros fãs que se acercam do palco, para ouvirem o instrumental dos Royal Pharaohs ou a sua preparação para a sobrevivência se Jamie Lidell seguir para outras bandas.
 
Agora é que o concerto começa a sério no encore, mais de uma hora depois do início. Nothing’s Gonna Change e You See My Light fazem as despedidas, diante do público certo e vivo, que merece ficar na selfie de Lidell antes do recolhimento.
 
Luísa Sobral atuou antes, com aviso do cronómetro. Como gosta de falar entre as músicas e desapressar, viu-se obrigada a suprimir pelo menos um tema do alinhamento, para que os 50 minutos pedidos não fossem ultrapassados.
 
A cantora fez dessa pressão mais uma piada repetida para contar ao público, além do vento que, diz ela, a obrigar a comer cabelos quando na mira dos fotógrafos.
 
Contando com um palco decorado por seis candeeiros de sala abanados pelo vento e por uma banda de mais quatro instrumentistas, a música jazzy de Sobral desdobra-se em alusões várias, desde o blues mais urbano à bossanova, e faz ainda uma incursão pelo tema vencedor do Festival da Eurovisão, Amar pelos Dois, numa versão mais ao estilo disciplinado e mais comedido da compositora – à falta do mano irreverente Salvador.
 
O baterista Carlos Miguel Antunes também entra na história desta noite, quando assina um belo solo. E o guitarrista Mário Delgado aproveita as várias músicas a sós com Luísa para fazer valer os seus atributos, incluindo nas paulitadas com a cantora, quando os dois se viram para a bateria.
 
Xico,o tal tema que permitiu a caricatura dos humoristas sobre a sua voz anasalada, fecha o concerto.

 

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