Rádio

Como qualquer outro amor, este também não tem sido linear ou tíbio. Com ela, a rádio, já vivi muitos mixed feelings.

Como qualquer amor, este também tem sido tumultuoso. Estou a referir-me ao meu amor pela rádio.

Como qualquer outro amor, este também não tem sido linear ou tíbio. Até porque já levamos (eu e a rádio), mais de duas décadas de convivência e por isso as histórias e os estados de espirito são muitos e variados. Com ela, a rádio, já vivi muitos mixed feelings. Algumas vezes tivemos uma relação mais serena, outras mais turbulenta; muitas vezes envolta em grande paixão, outras vezes mais racional e objetiva.

Quando comecei não tinha experiência nem tão-pouco conhecimentos académicos na área da comunicação (estava a terminar a Licenciatura em Sociologia). Apenas tinha uma vontade grande de fazer rádio, uma paixão, uma atração sem explicação. Mas fui logo no início «atirada às feras», numa rádio de grande audiência nacional. Foi uma imensa escola, essa rádio onde comecei a minha carreira. Lá aprendi tanto! Não só sobre a arte de comunicar para o público mas essencialmente sobre a vida. Quando saí, depois de quase 10 anos de entrega em que sofri muito com as chamadas «dores de crescimento», pensei por uns tempos que não voltaria a fazer rádio. Até porque desenvolvi outras aptidões, como a escrita, e passei a ser colaboradora em alguma imprensa escrita. Achei que aquela história do «bichinho-da-rádio» era um mito urbano…Mas não! Ele existe mesmo! E percebi, uns anos depois, que também eu tinha sido apanhada por ele. Ainda bem! À primeira oportunidade voltei para os microfones e para a produção de rádio. O meu mundo!!! Mais uma vez os altos e baixos sucederam-se. Desafios novos apareceram, a par com as desilusões e cansaços e mais uma vez acreditei que a minha vida fazia mais sentido se passasse pela rádio. Até porque descobri, com o passar dos anos, que como dizia Vinicius de Moraes, «a vida é arte do encontro embora haja tanto desencontro pela vida». É assim na vida, é assim na rádio…

Olhando para trás vejo rádios de grande informação, rádios de música, rádios de pouca ou muita audiência, rádios de todos os estilos que vão, afinal, moldando e espelhando este país que somos. Foram muitas por onde passei…e em todas elas vejo pessoas: as que nos ouvem e as que fazem a rádio acontecer. Técnicos, produtores, animadores, diretores, vendedores, sonoplastas…alguns deles, amigos para a vida. Tive a imensa sorte de sempre trabalhar (e assim aprender) com os melhores! Talvez por isso quando olho hoje para a rádio, sinto que não temos segredos uma para a outra.

Hoje estou mais tranquila que nunca, reencontrando um amor que por vezes pareceu-me escapar. Foi muito fácil apaixonar-me pela Smooth, pela sua música, pela sua atitude, pela sua equipa, pelo seu público…muito fácil…aqui sinto-me feliz!

 

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