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Redação

António Variações relembrado pelo britânico The Guardian

today 29 de junho de 2020


"O primeiro ícone gay em Portugal que abanou o país do torpor pós-revolução depois de um reinado fascista de 41 anos", é uma das frases do artigo publicado esta segunda-feira pelo jornal britânico The Guardian. O texto é extenso e passa em revista a biografia e o legado de António Variações, além de sublinhar a importância do cantor minhoto para a comunidade LGBTQI+ em Portugal. 

"Rapaz do campo, cabeleireiro e estrela pop, Variações silenciou a homofobia com a liberdade de expressão - renasceu como um ícone 35 anos depois da sua morte", começa por escrever Pedro João Santos que oferece ao leitor a devida contextualização histórica e social do país contemporâneo do cantor de "Dar e Receber".

"Quando Variações regressou a Portugal em 1976, tornou-se o rosto do bairro progressista Príncipe Real e depois do Bairro Alto, onde a cultura adormecida começou a acordar", pode ler-se no texto. O artigo cita ainda algumas passagens do livro "Entre Braga e Nova Iorque", a biografia de António Variações assinada por Manuela Gonzaga, e recolhe os testemunhos de Teresa Couto Pinto (a primeira agente do cantor) e do investigador António Fernando Cascais. 

"Um hedonista amado pelo seu povo, um homem humilde atrás de uma postura dominante, Variações injetou cor no Portugal dos anos 80. 'Sinto que nasci antes do tempo', disse em 1983; um ano depois, lamentou 'ter de morrer', temendo o 'fim deprimente'", escreve o jornalista português.

O artigo menciona ainda duas homenagens que foram feitas a António Variações, algumas décadas após a sua morte (1984).

"O seu reaparecimento começou em 2004, quando o supergrupo Humanos foi criado para gravar algumas demos que deixou. O resultado foi um álbum  multi-platina", lê-se no artigo. O recente filme de João Maia, "Variações", também foi relembrado pelo jornalista português como "um dos filmes portugueses com mais sucesso de bilheteira de todos os tempos".

"Trinta e cinco anos após a sua morte, recuperou o seu lugar na cultura portuguesa. Variações sempre jurou que ficaria para a história - 'mesmo que fosse apenas na história de uma parede da casa de banho'".