03 setembro 2021
12:35
Agência Lusa

Eunice Muñoz sobe ao palco de Oeiras com "A margem do tempo"

DR - ALÍPIO
?A margem do tempo? assinala o regresso da atriz de 93 anos depois de ter estado hospitalizada.

A peça “A margem do tempo”, com que Eunice Muñoz se despede dos palcos ao fim de quase 80 anos de carreira, regressa amanhã, ao auditório municipal com o nome da atriz, em Oeiras.

Depois de estreada em abril naquela sala e de uma digressão por várias cidades do país, “A margem do tempo”, na qual Eunice Muñoz contracena com a neta Lídia Muñoz, terá nove representações, de 03 a 26 de setembro.

Com texto do autor alemão Franz Xaver Kroetz (1946), a peça revela-se “uma longa didascália” “sem monólogo e sem diálogo”, no qual a senhora Rasch, personagem partilhada pelas duas atrizes, convida os espectadores a assistirem a um final de tarde num dos seus dias repetidos, igual a todos os anteriores.

Encerrando a carreira de espetáculos para 2021, “A margem do tempo” voltará a apresentar-se em digressão em 2022, anunciou ainda fonte da produção do espetáculo.

Com música de Nuno Feist e encenação de Sérgio Moura Afonso, “A margem do tempo” põe diante do público a humanidade de uma mulher mais velha, Eunice Muñoz, que vai relembrando a monotonia dos dias repetidos, que se materializam numa mais nova senhora Rasch, Lídia Muñoz, que vai caminhando em direção ao seu “eu mais soturno e nostálgico”.

Protagonizada pela atriz após um internamento hospitalar de três semanas, "A margem do tempo" terá representações nos dias 03, 04, 05, 11, 12, 18, 19, 25 e 26 de setembro, sempre às 19:00.

Prestes a comemorar 80 anos de carreira, que se assinalam dia 28 de novembro, “A margem do tempo” é a peça que assinala o regresso da atriz de 93 anos aos palcos, após um afastamento desde 2012, e que escolheu para encerrar a carreira.

Eunice Muñoz nasceu em 30 de julho de 1928, na Amareleja, freguesia do município de Moura, no seio de uma família de atores e, aos 5 anos, já realizava pequenos números musicais, na companhia teatral ambulante da família, a Troupe Carmo.

“Vendaval”, de Virgínia Vitorino, foi a peça com que se estreou profissionalmente, no Teatro Nacional D. Maria II, em Lisboa, quando tinha apenas 13 anos, na então Companhia Rey Colaço-Robles Monteiro, entrando pouco depois para o grupo histórico, que detinha a residência do teatro.

“Camões” (1946), de Leitão de Barros, assinalou a estreia no cinema da mais versátil atriz portuguesa, que tem também trabalhos na área da televisão e da poesia.

Em 2015, Eunice Muñoz foi agraciada com o Prémio Carreira da Academia Portuguesa de Cinema e, em 1981, a Presidência da República distinguiu-a como Oficial da Ordem Militar de Sant'Iago da Espada, com o grau de Grande-Oficial da Ordem do Infante D. Henrique (1991) e com a Grã-Cruz da Ordem do Infante D. Henrique (2011).

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