21 janeiro 2022
09:17
Redação / Agência Lusa

Menos lixo em Lisboa porque houve menos turistas

O primeiro período de confinamento relacionado com a covid-19, em 2020, levou a uma queda acentuada na produção de lixo em Lisboa essencialmente devido à quebra no turismo.

O primeiro período de confinamento relacionado com a covid-19, em 2020, levou a uma queda acentuada na produção de lixo em Lisboa essencialmente devido à quebra no turismo, indica um estudo hoje divulgado.

A queda na produção aconteceu tanto no lixo comum como no reciclável, diz o estudo, feito por investigadores da Nova IMS (Gestão de Informação e Ciência de Dados da Universidade Nova de Lisboa) e cuja análise incidiu na zona de Lisboa no período entre 2017 e final de 2020.

No período analisado pelo estudo já após o fim do confinamento (19 de março a 02 de maio), verificou-se que os níveis de produção de lixo reciclado aumentaram, mas não voltaram a atingir os níveis pré-pandemia, indicam os investigadores em comunicado.

Miguel de Castro Neto, da Universidade Nova e um dos autores do estudo, "Impact of COVID-19 lockdown measures on waste production behavior in Lisbon", disse, citado em comunicado, que o trabalho permitiu mostrar esse declínio no volume dos resíduos recolhidos e que a principal causa foi a quebra no turismo. 

"Percebemos também que em Lisboa as alterações estiveram diretamente ligadas ao tipo de resíduo e à distribuição espacial de sua produção dentro da cidade. As áreas residenciais com maior densidade populacional foram aquelas em que se registou uma menor diminuição da produção de resíduos, enquanto as áreas que tinham elevadas taxas de turismo tiveram uma queda maior", disse.

No trabalho refere-se também que as restrições impostas pela covid-19 colocaram outros desafios, e lembra-se que durante o confinamento a cidade de Lisboa suspendeu a recolha de reciclagem porta a porta até junho de 2020, havendo também redução da quantidade de vezes que o lixo comum era recolhido. 

Ao reduzir-se para o máximo de três dias por semana a recolha de lixo comum tal afetou 37% dos circuitos que tinham uma frequência de até sete vezes por semana, diz-se no comunicado.

Miguel de Castro Neto considera que o estudo pode ajudar as entidades responsáveis pelo planeamento urbano a desenvolver políticas mais direcionadas e adaptadas, para reagir da melhor maneira em situações de pandemia ou outras que mudem a dinâmica da cidade.

O estudo foi feito no âmbito do projeto "BEE2WasteCrypto" do Programa Carnegie Mellon Portugal (CMU Portugal), que resulta da colaboração entre empresas e universidades.

O objetivo do projeto, explica-se no comunicado, é desenvolver a primeira ferramenta tecnológica que forneça uma solução totalmente integrada para projetar soluções de gestão de resíduos, desde a produção até à transformação, maximizando a dimensão económica e minimizando o seu impacto ambiental, com base numa filosofia de economia circular. 

O programa CMU Portugal é financiado pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia e resulta de uma colaboração entre o governo português e a universidade norte-americana de Carnegie Mellon na área das Tecnologias de Informação e Comunicação.

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