09 maio 2022
13:25
Redação

MARO: "é muito giro ver tantas pessoas a cantar uma palavra tão portuguesa"

Facebook Oficial RTP - Festival da Canção 2022
A cantora, compositora e multi-instrumentista atua esta terça-feira na primeira semifinal da Eurovisão. MARO leva 'Saudade, Saudade' a Turim.

É já esta terça-feira, 10 de maio, que a doce MARO sobe ao palco da Eurovisão que este ano acontece na cidade de Turim, em Itália - país que venceu em 2021. A cantora, compositora e multi-instrumentista representa Portugal, com a canção 'Saudade, Saudade', e junta-se aos 39 países que competem na 66ª edição do concurso eurovisivo. MARO leva consigo mais cinco vozes femininas: as de Beatriz Fonseca, Beatriz Pessoa, Carolina Leite, Diana Castro e Milhanas.

Na primeira semifinal da competição, a artista portuguesa atua ao lado da Albânia, Letónia, Lituânia, Suíça, Eslovénia, Ucrânia, Bulgária, Países Baixos, Moldávia, Croácia, Dinamarca, Áustria, Islândia, Grécia, Noruega e Arménia. Na segunda semifinal, marcada para quinta-feira, dia 12 de maio, competem mais 18 países: Finlândia, Israel, Sérvia, Azerbaijão, Geórgia, Malta, São Marino, Austrália, Chipre, Irlanda, Macedónia do Norte, Estónia, Roménia, Polónia, Montenegro, Bélgica, Suécia e República Checa. A grande final será disputada por 25 países a 14 de maio


Conversámos com a MARO a propósito da participação no festival mas não só. A conversa saltitou entre a participação na Eurovisão, a mais recente viagem da cantora por uma série de palcos europeus, a chegada de novas canções, o lançamento do novo disco, o período em que a MARO estudou na afamada Berklee College of Music (Boston) e o dueto que fez com o histórico Eric Clapton. O momento que partilhou com o músico veterano é uma das muitas colaborações que a cantora e escritora de canções soma no canal de YouTube. A lista é extensa mas podemos deixar aqui alguns nomes: Jacob Collier, Ivan Lins, EU.CLIDES, Maria Gadú, Rui Veloso, António Zambujo, Pablo Alborán, Dino D'Santiago, Rita Vian, Mayra Andrade, Tiago Nacarato, Lucas Fonseca, Luísa Sobral, Salvador Sobral, Papa Bear, Marisa Liz, The Paper Kites, entre muitos outros. 


Como é que tem sido cantar a 'Saudade, Saudade' para tanta gente?

Tem sido incrível. Tenho cantado a canção em praticamente todos os concertos e em países que não falam português. A receção tem sido muito calorosa. É muito giro ver tantas pessoas a cantar uma palavra tão portuguesa. Gostam da canção mesmo que não consigam perceber a totalidade da letra. Identificam-se com o que estão a ouvir mesmo que não entendam.

Muita gente diz que 'Saudade, Saudade' é um lugar de paz em tempos de guerra. Como é que te sentes a ouvir este tipo de elogios?

Relaciono os elogios com a canção e não comigo. O que me têm dito é tão bonito. É tão especial que até tenho alguma dificuldade em acreditar que estou envolvida no processo. É uma sensação estranha ver que as pessoas estão a sentir uma ligação tão forte com uma canção que foi escrita há alguns meses.


Escreveste essa canção em apenas 15 minutos, certo? 

Costuma ser assim. O meu processo criativo é bastante rápido. Não consigo forçar a composição. Se sentir vontade de compor, começo a tocar e sai. Não me sento propositadamente para compor, de forma pensada. Quando componho é porque tenho coisas para dizer ou simplesmente porque estou a sentir algo. Não penso muito em crise de criatividade. Por exemplo, quando estive no Brasil, no início da quarentena, escrevia três ou quatro músicas por dia e estive lá durante cinco meses. Se depois disto estiver seis meses sem escrever, não há mal nenhum. Em relação à 'Saudade, Saudade', quando o meu melhor amigo [John Blanda] me mostrou a introdução da melodia o resto começou a sair. Esse início gerou tudo o que veio a seguir. 

Transformas o que sentes em canções, mas a tua voz é capaz de suavizar até as emoções mais turbulentas...

Tinha uma professora na Berklee que me dizia: 'podias cantar a lista telefónica e essa seria a minha canção preferida do mundo'. (risos) Foi muito engraçado. 

Tens visto os vídeos com as reações à canção que vais cantar na Eurovisão? Há um, feito por um senhor italiano, o Gianni Bravo Ska, que é bastante comovente. A uma dada altura, esse senhor diz: 'há canções que foram feitas para irem diretamente ao coração'. É uma reação muito emotiva... 

Eu não tenho estado propriamente a ver os vídeos com as reações. Prometi a mim mesma que não ia ver nada. Fui construindo a minha carreira de uma forma lenta mas sólida, ou seja, quem gosta vai ficando e apoia-me imenso, com muito carinho. Quem não gosta segue a vida. De repente, estou no festival, "caio" na televisão e tenho de lidar com pessoas que têm opiniões. Vi três ou quatro vídeos que me enviaram. Acho que o do senhor italiano foi o primeiro que vi. A reação dele foi tão genuína, tão bonita. Fiquei muito emocionada. Até chorei. O senhor ficou mesmo muito tocado com a música e eu fiquei tocada de ver que ele tinha ficado tocado. (risos)   


Quem também se cruzou com a tua voz foi o histórico Eric Clapton, com quem cantaste o clássico 'Tears In Heaven' - ainda que à distância. Como é que isso aconteceu? 

Quando estava a planear fazer a série ["ITSA ME, MARO!"] comecei a colocar vídeos, com a duração de cerca de um minuto, no Instagram. Um desses vídeos foi uma versão do 'Tears In Heaven', canção que amo. Toda a gente ama, acho. Esse vídeo chamou a atenção do Russ Titelman, um produtor que me segue há anos no Facebook. Segue-me desde o meu primeiro ano na Berklee. Pelos vistos, esse produtor produziu alguns trabalhos do Eric Clapton e, sem eu saber, mandou-lhe a minha versão. Mais tarde, acabei por receber uma mensagem do Russ a dizer que o Eric tinha amado a minha versão e que queria ouvir-me a cantar a canção toda. Como eu estava a planear fazer o "ITSA ME" resolvi perguntar se ele não estaria interessado em cantar comigo. Esse produtor acabou por nos pôr em contacto direto e aconteceu. Foi brutal. O Eric é a pessoa mais querida do mundo. É de uma generosidade incrível. Estava preocupado se estava encaixado no meu conceito ou se eu gostava. Só pensei: 'como assim? És o Eric Clapton'. (risos) Acho que foi uma daquelas coisas do destino. Aconteceu no timing certo.   

 

Desses artistas mais old school com quem gostarias de repetir a proeza?

Eu vivo muito na zona do respeito, da admiração à distância. O ser conhecido é relativo. Tenho amigos da Berklee que, embora não sejam conhecidos, fazem música que me toca muito. Sigo o que me vai movendo. Não olho logo para o infinito. O que aconteceu com o Eric foi brutal. Foi um momento muito especial mas não foi mais especial do que aquilo que fiz com o Lucas Fonseca que é o meu melhor amigo da Berklee e é quem me deu força para começar a tocar as minhas canções originais.
       
E agora tens uma canção nova, 'We've Been Loving In Silence'... 

Tenho estado a cantar essa canção em todos os concertos. É muito giro. Toda a gente alinha a cantá-la comigo. As pessoas são super queridas. Enviam-me mensagens para o Instagram a dizer que gostaram muito da música. É giro ver que há uma conexão direta com o tema e que as pessoas não cantam só canções que já ouviram, que já conhecem.       

 

E sobre o novo disco, o que é que podes revelar?

Posso dizer que vai sair no verão e que é composto por 14 músicas. Posso dizer também que é quase todo em inglês, mas o próximo já será em português. Para ficar equilibrado. (risos) Este disco era para ser lançado há dois anos, mas, com a Covid-19, a edição acabou por ser adiada. O resto que vem aí é surpresa. 


 












 

 


 

 

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