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19 maio 2022
08:37
Agência Lusa

Mais nove casos de varíola dos macacos confirmados em Portugal

São já 14, segundo a Direção-Geral da Saúde.

 Mais nove casos de infeção pelo vírus Monkeypox foram confirmados em Portugal, totalizando 14, anunciou hoje a Direção-Geral da Saúde, adiantando que estão a ser feitos inquéritos epidemiológicos para identificar cadeias de transmissão e potenciais novos casos.

A DGS adianta, em comunicado, que os casos identificados se mantêm em acompanhamento clínico, encontrando-se estáveis.

Os novos casos foram confirmados pelo Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge (INSA) ao final da tarde de ontem, 19 de maio, existindo ainda duas amostras em análise.

Relativamente aos restantes casos suspeitos, a DGS refere que as amostras ainda serão remetidas para análise pelo INSA.

Neste momento, afirma no comunicado, “decorrem ainda os inquéritos epidemiológicos, com o objetivo de identificar cadeias de transmissão e potenciais novos casos e respetivos contactos”.

A autoridade de saúde apela às pessoas que apresentem lesões ulcerativas, erupção cutânea, gânglios palpáveis, eventualmente acompanhados de febre, arrepios, dores de cabeça, dores musculares e cansaço, para procurar aconselhamento clínico.

Recomenda ainda que, “perante sintomas suspeitos, o indivíduo deverá abster-se de contactos físicos diretos”, explicando que “a abordagem clínica não requer tratamento específico, sendo a doença habitualmente autolimitada em semanas”.

Em declarações ao início da tarde aos jornalistas, no Porto, a diretora do Programa Nacional para as Infeções Sexualmente Transmissíveis e VIH confirmou que os cinco primeiros casos confirmados foram detetados numa clínica ligada a doenças sexualmente transmissíveis em homens jovens com idades entre os 20 e os 50 anos.

“Foram identificados em contexto de atendimento numa clínica de doenças sexualmente transmissíveis porque apresentavam lesões genitais. É verdade que são casos de homens que têm sexo com homens, mas essa pode só ter sido a forma como foi dado o alerta. Ainda não sabemos mais. Não está descrita, classicamente, a via de transmissão sexual [como passível de causar esta infeção], mas há transmissão por contacto próximo, íntimo e prolongado”, descreveu Margarida Tavares.

Todas as situações, frisou, estão localizadas na região de Lisboa e Vale do Tejo.

“Mas para já não sabemos se existe relação. E sim, pode haver dispersão pelo país”, acrescentou.

O vírus Monkeypox é do género Ortopoxvírus (o mais conhecido deste género é o da varíola) e a doença é transmissível através de contacto com animais, ou ainda contacto próximo com pessoas infetadas ou com materiais contaminados.

A doença é rara e, habitualmente, não se dissemina facilmente entre os seres humanos.

Esta é a primeira vez que é detetada em Portugal infeção pelo vírus Monkeypox.

Em 2003 foram reportados nos Estados Unidos da América algumas dezenas de casos.

Também o Reino Unido reportou, recentemente, casos semelhantes de lesões ulcerativas, com a confirmação de infeção por vírus Monkeypox.

A DGS e o INSA mantêm-se a acompanhar a situação a nível nacional e em articulação com as instituições europeias.

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