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29 junho 2022
12:35
Agência Lusa

Oceanos: Estados Unidos juntam-se a aliança para vigiar e reverter acidificação

EPA/JOSE SENA GOULAO
John Kerry intimou à "ação imediata", notando que "cada décimo de grau [de aumento da temperatura global] tem um vasto custo, de biliões de dólares".

O enviado dos Estados Unidos para o clima, John Kerry, anunciou hoje a adesão do seu país à Aliança Mundial contra a Acidificação, vincando a relação inextricável entre alterações climáticas e a degradação dos mares.

"A percentagem de oxigénio nos oceanos está em declínio, com impactos na química dos mares. A acidez aumenta. Os gases com efeito de estufa na atmosfera são levados pela chuva para o mar, cujo ph está descer", afirmou Kerry.

Os impactos, frisou, "afetarão todos os seres humanos" e os "pequenos estados insulares" sentem-no primeiro do que o resto do mundo, declarou numa sessão de diálogo multilateral no âmbito da Conferência dos Oceanos das Nações Unidas, que se realiza em Lisboa.

Por isso, os Estados Unidos vão juntar-se à aliança que reúne governos e organizações não-governamentais num esforço para aumentar o conhecimento sobre os impactos da acidificação e evitar o aquecimento dos mares, cuja fonte é primordialmente, as emissões de gases poluentes decorrentes da atividade humana.

"Sem ir à fonte, não conseguimos. No ano passado, as emissões aumentaram seis por cento. Isso não é tratar da causa. Isso não é aproximarmo-nos de uma forma de vida sustentável. O que é mais importante do que tudo é a transição para um futuro de baixo carbono ou sem carbono o mais depressa possível", afirmou.

John Kerry intimou à "ação imediata", notando que "cada décimo de grau [de aumento da temperatura global] tem um vasto custo, de biliões de dólares".

"Se não dermos resposta, tudo isto não passará de retórica. Todas estas reuniões nos condenarão à lixeira da história", considerou.

O combate à acidificação também passa por medidas dirigidas especificamente aos oceanos, como a criação de áreas marinhas protegidas e a transição para "transporte marítimo verde", menos poluente, para a qual nove países, incluindo os Estados Unidos, já se puseram de acordo, um número que "não é suficiente".

A maior empresa de transporte marítimo do mundo, a Maersk, "já prometeu que os próximos oito navios que construir serão 'livres de carbono' e se a Maersk consegue, toda a gente consegue", argumentou.

Kerry defendeu também o aumento da instalação de plataformas de produção de energia eólica e solar 'offshore', apontando que a capacidade técnica de produção está a aumentar e que "todos os países podem aumentar a sua segurança energética com mais energias renováveis".

Representando a Organização Meteorológica Mundial, o cientista Johan Stander apontou um "particular aumento da temperatura" dos oceanos nos últimos 20 anos, referindo que em 2021, praticamente toda a superfície marinha mundial teve "pelo menos uma onda de calor".

O oceano absorve 23% das emissões poluentes anuais de todo o mundo mas com um custo: "os oceanos estão com a maior acidez dos últimos 26 mil anos".

O dióxido de carbono, referiu, interage com água do mar e ameaça organismos vivos, muitos dos quais essenciais para a sobrevivência e modo de vida de cerca de três mil milhões de pessoas.

Para entender e ter algum domínio sobre o que está a acontecer, é essencial "monitorizar e observar", o que tradicionalmente está sujeito a "financiamentos de curto prazo", adiantou.

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