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Gonçalo Palma

Madeleine Peyroux entre Paris e Nova Orleães

today 28 de outubro de 2018

Acompanhada esta noite no Centro Cultural de Belém por mais quatro músicos - um pianista, um baixista, um baterista e um guitarrista - Madeleine Peyroux comunicou num português deliciosamente esforçado e abrasileirado. Fez as várias apresentações das canções na nossa língua. Mais tarde, pediu desculpa pelo seu português mas não devia: o seu domínio era impecável.
 
Depois de abrir o concerto de hora e meia com Don't Wait Too Long, Peyroux e o seu combo transformam a balada La Javanaise, que de um foguetão da chanson nas mãos do criador Serge Gainsbourg, passa para a navegação desapressada em águas mais calmas. Com Peyroux o tema passa a ser mais espaçado jazzisticamente. A cantora norte-americana continua em Paris mas com uma canção sua, Our Lady of Pigalle, antes de interpretar uma música de esperança ironicamente intitulada On My Own.
 
Down On Me (ou “Duro Comigo” na tradução de Madeleine Peyroux) merece uma guitarra bluesy bem amplificada. Mais algumas músicas depois, o palco passa a ser apenas da cantora, quando faz um medley de três músicas - J'ai deux amours, New Orleans Hop Scop Blues e Trampin - e mete-se com os blues de Bessie Smith em Don’t Cry Baby.
 
Já com uma hora de espetáculo, Peyroux anuncia que só vai interpretar canções de amor até ao fim. Na verdade, cantou muitos pedidos de dança, como Dance Me To The End of Love, a segunda ida da noite à fonte de Leonard Cohen, pingado de jazz e menos sussurrado que o original, e, para terminar, We Might Well Dance. No regresso para encore, renova a busca por um par para dança em Getting Some Fun out of Life, popularizado por Billie Holiday. O concerto encerra de vez com Careless Love e uma guitarrada à Nova Orleães, o ponto de paragem e de partida para a música de Madeleine Peyroux.
 

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