26 outubro, 2021
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Que Coisa São As Tardes?

ESVAZIAR PARA CONSTRUIR  

Parti para uma nova jornada, uma nova viagem, um novo destino. Até Novembro estarei a viver nas e as montanhas do grande Cáucaso. Reconhecer a bondade escondida do povo da Geórgia, cumprimentar de longe os Russos, os Arménios ou os Turcos. Perder-me nos sabores misturados do oriente e do ocidente

Parti para uma nova jornada, uma nova viagem, um novo destino. Até Novembro estarei a viver nas e as montanhas do grande Cáucaso. Reconhecer a bondade escondida do povo da Geórgia, cumprimentar de longe os Russos, os Arménios ou os Turcos. Perder-me nos sabores misturados do oriente e do ocidente. Lutar por distinguir aromas e verdades. É tempo de voltar ao ar rarefeito, ao tempo indeterminado, à escuta permanente de um som que só se reconhece chegando ao topo. 

A principal razão pela qual parto; seja para a montanha, para o deserto ou para o mar é o acto fulcral de esvaziar. Os dias vão-nos dando muito em pouco tempo. Cada manhã é uma oportunidade. Chegamos a casa cheios. Cheios de opiniões, cheios de reuniões, cheios de ritmo, de estímulos e de gente. E às vezes cheios de nada. Como é urgente a descarga, voltar ao vazio. Porque só voltando ao vazio se dá o milagre da (re)construção. 

É preciso esvaziar a taça. É preciso encontrar liberdade e humildade para o fazer. Ninguém gosta de se sentir vazio. É desconfortável, deixa-nos sem chão, atordoados, inseguros. Mas é importante encontrar esse ponto de partida. Porque o que vem depois é grande, é magnífico, é tudo aquilo pelo qual vale a pena viver: deixar a curiosidade levar. Poder descobrir uma língua nova, uma outra forma de cumprimentar, um outro trajecto que dá sentido ao trilho, um novo cheiro e uma nova amizade. Uma nova história que nos completa, um novo olhar e um outro curso para a lágrima tomar. 

Só esvaziando se descobre. 
Só esvaziando se constrói. 
Só esvaziando o coração bate no tempo certo. 

Até Novembro. 

 

Gonçalo Câmara