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05 janeiro, 2022
1 mins
Que Coisa São As Tardes?

Fugir ou ir ao encontro

No outro dia, numa boa última conversa antes de fechar o ano 2021, apercebi-me que podemos analisar uma pessoa segundo duas realidades: se essa pessoa está a fugir de alguma coisa ou se está a ir ao encontro de alguma coisa.

O desafio que nos é lançado obedece a um desejo de viver na segunda realidade. Mas o que a vida nos vai mostrando é que passamos muito tempo nesta linha dancante entre o fugir e o alcançar. 

 

Todos somos diferentes. Há quem meta na cabeça que não se foge de nada. Mas nem sempre é possível. Existe a fuga por medo, existe a fuga por preguiça e comodismo, a fuga por egoísmo ou a fuga por inconsciência. Às vezes é mais fácil fugir de um problema do que enfrentá-lo. Todos nós já passámos por isso, já vivemos esse jogo. 

 

Há quem pegue o touro de caras, outros de cernelha. Há quem nem sequer se atreva a pôr os pés na praça. 

 

Já muitas vezes disse a mim próprio: eu não posso fugir de nada. Embora seja um confronto pessoal muitas vezes exigente, quero desafiar-me constantemente a ir ao encontro. Porque uma vez alcançado o merecido porto seguro de um lugar protegido, começamos a entender que vale a pena todo o caminho que se percorre até lá. 

 

Será talvez uma tarefa interessante, esta de perceber quem foge e quem vai ao encontro. Notaremos no olhar e essencialmente nos gestos. Podemos sempre começar por olhar para dentro, para que possamos promover e saibamos viver numa sociedade onde são muitos mais os que estão a caminho dos bons lugares do que aqueles que estão em fuga.