Educar a curiosidade

Não ficar pelo círculo, querer descobrir outros idiomas, encontrar realidades diversas, aperceber que isto aqui é muito pouco para o que há, reconhecer que sou uma pequeníssima percentagem de tudo o resto.

 

Alguém um dia dizia-me: "a ignorância é perdoável, a falta de curiosidade não". Tive o privilégio e a sorte de viver num seio familiar que, desde cedo, me despertou para a curiosidade das coisas. Talvez por ter uma mãe investigadora e historiadora de arte e um pai açoriano que nunca soube estar parado e toda a vida me permitiu descobrir as coisas boas que o mundo tem para oferecer, fosse no mar ou em terra. 

Não ficar pelo círculo, querer descobrir outros idiomas, encontrar realidades diversas, aperceber que isto aqui é muito pouco para o que há, reconhecer que sou uma pequeníssima percentagem de tudo o resto. Desde cedo fui lançado à vivência.

Outros não terão tido essa oportunidade, bem como há quem tenha sido estimulado ainda mais do que eu. No entanto, uma coisa é não ter a oportunidade, outra é não querer reconhecê-la. Uma coisa é não conhecer ou não saber, outra é não ter vontade de partir ao conhecimento. 

A curiosidade é um salto para a evolução, é um impulso e um rasgo para a aprendizagem. Faz parte do nosso instinto, é uma forma para reconhecer o que nos rodeia. E a curiosidade pode e deve ser estimulada. Por muito que a inércia tome conta dos dias, porque todos já passámos por isso, o combate está nos sentidos. 

Folhear um livro, ler um jornal, ouvir música, descobrir novas línguas, viajar. Para muitos a viagem poderá ser uma realidade distante, visto ser mais dispendiosa. Mas não temos que ir para fora, não temos que ir para longe. Às vezes basta perguntar. Querer saber é o suficiente para fazer caminho. 

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